Pela regionalização sempre!

Propomos a Regionalização, consecutivamente adiada, e a descentralização de meios e competências, elementos para o desenvolvimento económico, social e cultural sustentado e equilibrado como um contributo fundamental para articular necessidades, planos e meios, para o desenvolvimento do distrito e do concelho.


(do documento Ponte de Lima Concelho - Outro Rumo - Nova Política)

Na defesa do Poder Local Democrático
Com Trabalho * Honestidade * Competência *

domingo, 13 de maio de 2012

MOÇÃO Contra a extinção de Freguesias Em defesa do Poder Local Democrático


Assembleia Municipal de Ponte de Lima   
 Sessão Ordinária de 27 de Abril de 2012
Período antes da ordem do dia


MOÇÃO
Contra a extinção de Freguesias
Em defesa do Poder Local Democrático
(Rejeitada pelos votos contra dos Presidentes de Junta e pelos eleitos do CDS e do PSD)


A Assembleia da República aprovou no dia 13 de Abril com os votos favoráveis do PSD e CDS o Projecto de Lei nº 44/XII que aponta para a extinção de centenas de freguesias.
Esta legislação a ser promulgada pelo Presidente da Republica, e a ser aplicada, representaria um grave atentado contra o poder local democrático, os interesses das populações e o desenvolvimento local.

Considerando que ao contrário do anunciado «reforço da coesão» o que daqui resultaria seria mais assimetrias e desigualdades. Juntar os territórios mais fortes, mais ricos ou com mais população com os mais fracos ou menos populosos, em áreas urbanas ou rurais, e traduzirse-á em mais abandono, menos investimento local, menos serviços públicos, menos coesão para quem menos tem e menos pode.

Considerando que ao contrário dos «ganhos de eficiência e de escala» que resultariam da «libertação de recursos financeiros» o que se teria era menos proximidade e resposta direta aos problemas locais com menos verbas e recursos disponíveis.

Considerando que qualquer reforma administrativa do território que se pretendesse séria, deveria ao contrário da liquidação de centenas de freguesias, criar as condições e afetação dos meios indispensáveis ao exercício das atribuições e competências, que hoje lhe são negados, e ao mesmo tempo concretizar a regionalização como a Constituição da República determina.

Considerando que as freguesias representam em termos do Orçamento do Estado - 0,1% do total – e em nada contribuem para a dívida pública, mais clara fica a intenção do governo – atacar o poder local e os direitos das populações ao bem-estar e à satisfação das suas necessidades locais.

Considerando que a liquidação de centenas de freguesias representaria um enorme empobrecimento democrático ( traduzido na redução de mais 20 mil eleitos ) ; enfraquecimento da afirmação, defesa e representação dos interesses e aspirações das populações que a presença de órgãos autárquicos assegura, assim como irá acentuar da desertificação e, ainda, mesmo que o neguem, um ataque ao emprego público ( milhares de trabalhadores das freguesias extintas cujo destino futuro será o despedimento ou a mobilidade ).

Considerando que a manifestação nacional de freguesias do dia 31 de Março convocada pela ANAFRE e por Plataformas contra a liquidação das freguesias, constituiu uma inapagável resposta das populações em defesa da sua identidade e raízes, uma poderosa expressão de afirmação dos seus direitos e identificação com as suas freguesia e respectivos órgãos autárquicos, tal como já o fora o Congresso da ANAFRE em 2 e 3 de Dezembro de 2011, o Encontro Nacional de Freguesias de 10 de Março de 2012, assim como as múltiplas manifestações de descontentamento, conjuntas ou de cada freguesia e município.

A    Assembleia Municipal de Ponte de Lima reunida a  27 de Abril de 2012 delibera:

1 – Manifestar a sua oposição a qualquer proposta de liquidação de freguesias e afirmar a defesa do actual número de freguesias, por aquilo que representam para as populações, com reforço das suas competências e meios financeiros.
Nenhum órgão autárquico foi eleito com o mandato para liquidar freguesias.

2 – Apelar às Câmaras  para recusarem ser cúmplices da liquidação de freguesias nos seus concelhos, não aceitando a chantagem da eventual redução de 20% das freguesias a extinguir, como se duma promoção comercial se tratasse.
Como já se insinua, hoje é a liquidação de freguesias, amanhã serão os municípios.

3 – Exortar a ANAFRE e ANMP a não pactuarem com este processo, não indicando representantes para a chamada “Unidade Técnica”.

4 – Reivindicar do Presidente da República a não promulgação desta legislação em conformidade com as suas responsabilidades constitucionais e em consonância com as suas declarações contra o agravamento das assimetrias regionais, a desertificação e o despovoamento do interior, e em defesa da identidade local.

5 – Apelar a todos os autarcas, aos trabalhadores das autarquias, ao movimento associativo e à população para o prosseguimento da luta e das diversas acções, contra a extinção de freguesias e em defesa do poder local democrático.
Ainda:
Os serviços de secretariado da Assembleia Municipal, enviarem esta Moção a:
Presidência da República
Grupos Parlamentares na Assembleia da República
Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima
ANAFRE – Associação Nacional das Assembleias de Freguesia
ANMP – Associação Nacional dos Municípios Portugueses

Os Eleitos da CDU
     

sábado, 28 de abril de 2012

A CDU NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE 27ABRIL2012


OS ELEITOS COMUNISTAS NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Intervenções na integra na Sessão de 27Abril2012

Sandra Margarida Fernandes

Na agenda da informação do Senhor Presidente da Câmara Municipal a este plenário é mencionada uma reunião com as Águas do Noroeste.

O motivo maior que nos leva a abordar este tema é que tendo nós conhecimento que a Associação Empresarial de Portugal mais a Parceria Portuguesa para a Água, desenharam o projeto Água Global – Internacionalização do Sector Português da Água, um projeto co-financiado pelo Sistema de Apoio a Ações Coletivas do Programa COMPETE (QREN).

O objetivo deste projeto consiste no desenvolvimento de um conjunto amplo de atividades visando a internacionalização das empresas do vasto sector da água (projeto, captação, distribuição, tratamento, estações elevatórias, tubagens, etc.).

No nosso entendimento, este projeto não é nem mais nem menos que uma engrenagem para privatizar a água que é um bem da humanidade e não tem donos, é pertença de todos. Portanto nós, como a maioria do povo português, defendemos o direito à fruição à água como parte do direito à vida e manifestamos a nossa forte oposição à transformação de um bem de todos para um negócio de alguns.

Permita-nos Sr. Presidente da Câmara que lhe solicitemos que possa informar esta assembleia municipal, qual os objetivos da reunião com as Águas do Noroeste e ao mesmo tempo qual é a posição do município quanto ao bem público da água.



Outros assuntos de interesse Municipal

Requalificação da Zona Ribeirinha
Na filosofia do executivo municipal a descaraterização da zona ribeirinha, não se trata de uma obra, mas duma “intervenção de regularização”. A arrogância da vereação do município com pelouros está a atingir proporções ditatoriais e atitudes antidemocráticas preocupantes. Se isto não é uma obra? Podemos então dizer que esta dita, (na fraseologia do pelouro das obras) “intervenção de regularização” não tem projeto e por conseguinte não terá os pareceres necessários e o licenciamento para tal. Estranha esta qualificação, quando até avenidas estão a nascer nas margens do rio, plantações tipo tropical e ervados. Assim poderemos concluir que estamos perante uma obra municipal clandestina? (Sobre esta matéria a CDU remeteu uma exposição à IGAL).
Sr. Presidente da Câmara, para bem da normalização da vida democrática e para repor a legalidade, aceite uma sugestão dos eleitos da CDU, reveja a distribuição dos pelouros pela sua vereação e dê orientação aos seus serviços municipais para porem urgentemente em prática a deliberação tomada por maioria dos membros eleitos desta assembleia municipal quanto à requalificação da zona ribeirinha (ver ata A.M. 26Fev2010, Pag12).

O Município e as Retaliações
Ficamos perplexos com a notícia divulgada por um órgão de comunicação local, “Loja-surpresa não dignifica Ponte de Lima, não deixa dinheiro, não cria emprego” e outra ainda reportava, “Comerciante tem medo de se identificar para não receber retaliações do município”. Como eleitos da CDU ficamos preocupados que munícipes expressem estes sentimentos de deficite democrático na ação quotidiana e política da gestão autárquica. Não é dignificante para o executivo municipal e muito menos para esta Assembleia Municipal que no concelho não sejam praticados os princípios democráticos de proporcionalidade, de justiça e de imparcialidade.

Parque do mercado
Ainda outra notícia, o parque do mercado foi fechado pela ASAE porque a máquina de cobrança não estava aferida dentro dos prazos legais. Ultimamente a desorganização está ao serviço dos serviços da câmara. Transparece, que no município não há quem dirija e não há quem oriente?



Obra da casa 9 do Largo Alexandre Herculano
A obra no Largo Alexandre Herculano, casa 9, tem ares de estar parada? É voz corrente que a Construtora desta obra estará com enormes dificuldades, mesmo em vias de cessar a sua atividade? Naturalmente mais uma vítima das medidas do Pacto de Agressão imposto pela tróika e também da falta de financiamento pela banca às empresas para poderem laborar. Vai ter, lamentavelmente, como causa, o desemprego de mais uns quantos trabalhadores.

A CDU solicita ao Sr. Presidente da Câmara Municipal, que informe esta Assembleia Municipal, o que de facto se está a passar com esta obra?

Edifício 707 do Largo Alexandre Herculano
Ainda dentro da mesma linha de rota, retomamos a pergunta sobre o edifício 707 com o número de 1 a 7 (pertença do grupo J.Pimenta):
- Este edifício já tem projeto aprovado pelos Serviços Municipais e a que fim se destina?



 Discussão e votação da “Prestação de Contas do Município Relativas ao ano de 2011 e Inventário”

Uma primeira palavra de apreço aos trabalhadores e serviços envolvidos neste esforço de apresentação dos documentos de prestação de contas.
A análise dos documentos de prestação de contas resulta sempre numa avaliação das opções políticas, anteriormente inscritas nos documentos provisionais do ano em questão.
Apreciar e votar documentos de prestação de contas não deve ser uma mera comparação de números, mas antes a apreciação da justeza das opções tomadas por quem gere o município.

 Com os materiais distribuídos para análise da prestação de contas 2011, não é facilitada a apreciação política da atividade do Município, dadas as discrepâncias na designação das rubricas. Só essa comparação, feita de forma clara, nos possibilitaria apreciar se a filosofia que serviu de base à elaboração do Plano de Atividades do Município terá sido ou não seguida na sua execução.

O Município, nomeadamente nas prestações de serviços, desbaratou, no nosso entender, autênticos exageros de verbas, como:
  • Delimitação de Área 6 027.00€; Projeção de Filme 5 904.00€; Alojamento 5 200.00€; Execução da obra “As portadas na arquitetura civil no concelho” 13 395.00€; Projeto Ponte de Lima na Europa 4 000.00€.

 Outras poderiam ser referidas! Também não nos convence a fraseologia de “a preocupação em criar estruturas geradoras de receitas ou modelos de gestão que possam constituir-se como projetos auto-sustentáveis”. O recente Protocolo de Parceria Público Privada para a loja rural, é sinal de investimentos com dinheiros públicos, beneficiarem lóbis de interesses económicos, nada terem a ver com modelos de gestão auto-sustentáveis, ao contrário do que é dito estas PPP são sim para hipotecar o futuro equilíbrio financeiro do município.

A obsessão da disponibilidade financeira, no nosso entender, é impeditiva de uma gestão audaciosa para o município ser o motor e impulsionador da concretização de projetos que levem à criação de postos de trabalho e ao desenvolvimento económico e social. Por isso referimos que, o Relatório de Gestão é uma peça com muito marketing propagandístico à mistura, mas de efeitos pouco práticos.

Retomamos alguns exemplos que para mal das carências do concelho de ano para ano se vão mantendo e acumulando:
  • As Zonas Industriais continuam transformadas em Zonas fantasmas, praticamente sem indústrias implantadas. O desemprego em ponte de lima continua a galopar em Janeiro eram 2213, em Março são 2297, mais 84;

  • As várias fases previstas para o Pólo Industrial das Pedras Finas não passa de ano em ano da 1ª Fase do Pólo;

  • O Desenvolvimento Rural não está direcionado para produzir mais, dinamizar a agricultura, combater o défice alimentar ou para ocupar a população a trabalhar a terra, mas sim para questões vocacionadas com a ruralidade de turismo;


  • O Centro Histórico, agora com um projeto abrangente aprovado, continua sem uma estratégia de revitalização e recuperação a médio e longo prazo;

  • A cobertura do abastecimento de água e saneamento à população do concelho ainda é limitada;

É inexistente a definição de prioridades para a concretização de medidas para o desenvolvimento harmonioso e sustentado do nosso Concelho. É também na base desta contestação da realidade que, a CDU entende que deveria haver menos obsessão por apresentar disponibilidades financeiras com valores altos e devia haver mais audácia para empregar grande parte dessa disponibilidade financeira em projetos abrangentes, tendo como principal motor o município em processos como a Reabilitação Urbana do Centro Histórico, procurando de facto com os proprietários soluções viáveis, para eliminar debilidades ao nível da degradação do edificado e no reduzido número de habitantes, mas neste capitulo as coisas estão paradas e paradinhas.

Outro processo que o município poderá e deverá ser o motor principal é na concretização do projeto de Suinicultura é necessário ser mais abrangente, é uma visão muito curta ficar só pelo projeto de criação de um núcleo de produção extensiva de suínos de Raça Bisara. Projeto de instalação em parceria com a Escola Profissional e a Coopalima, mas como em todos os projetos, aguarda oportunidade de encontrar o necessário enquadramento à sua execução e financiamento no âmbito do “Proder”.

Sendo estes documentos o reflexo de definição de prioridades e de opções políticas tomadas pelo município, que consideramos não corresponderem às necessidades básicas e prementes da realidade do Concelho, e também pela prática de certa engenharia contabilística como o caso da prestação de serviços daquela coisa chamada “projeto ponte de lima na Europa” os eleitos da CDU no ato consciente de se manifestarem, não encontram condição de votar favoravelmente a prestação de contas 2011.


João Francisco Gomes (Noas)

Estatuto do Direito de Oposição – Relatório de Avaliação do ano 2011

A começar a CDU – Coligação Democrática Unitária manifesta o seu apreço ao Sr. Presidente da Assembleia Municipal pela prontidão com que considerou incluir na agenda desta sessão da assembleia municipal, a nosso pedido, por meio de requerimento enviado à mesa da assembleia, este tema à apreciação deste órgão da autarquia local.

 Começamos por relembrar o que foi dito por nós nesta assembleia municipal em Setembro de 2011, sobre a apreciação feita então a esta temática “constatamos que nem tudo é ouro sobre azul, as conclusões enfermam de certas imprecisões ou omissões quanto ao cumprimento por parte do município de deliberações aprovadas pela Assembleia Municipal” que encaixa perfeitamente para os efeitos do exercício de pronúncia sobre o relatório de avaliação que nos é apresentado agora sobre o ano findo.

 A então anomalia apontada quanto às debilidades do município de não cumprimento das deliberações desta assembleia municipal (requalificação do rio lima e seus afluentes, a toponímica da vila, atribuir a uma artéria o nome de Jaime Campos e acrescento agora e, a outras mais). Passado mais um ano ainda não foram corrigidas, estão por dar cumprimento por parte do município, da sua vereação com pelouros atribuídos a tempo inteiro e dos serviços municipais como o exige a lei das autarquias 169/99, de 18 de Setembro.

Pensamos e temos a convicção plena que, enquanto o município não corrigir esta debilidade da sua gestão autárquica. O Estatuto do Direito de Oposição não estará de forma nenhuma integralmente cumprido. E o executivo municipal continuará a execer uma prática de gestão antidemocrática que leva ao derespeito pelos membros eleitos desta assembleia municipal e consequentemente pelo órgão deliberativo mais importante desta autarquia. Esta prática até leva à realização de obras municipais “agora rotuladas de intervenções de regularização” sem critérios de projetos, que deixa dúvidas se haverá pareceres e até licenciamento, estamos a referirmos à obra de descaraterização da zona ribeirinha. Tudo isto seria evitável se fosse respeitado e cumpridas as deliberações da assembleia municipal.

 Apelamos ao Sr. Presidente da Câmara, que para bem da normalização da vida democrática, oriente os seus serviços municipais a repor a legalidade para que se considere cumprido o Estatuto do Direito de Oposição, reafirmamos e repetimos, Sr. Presidente mande executar as deliberações da assembleia municipal, para assim velar pelo seu cumprimento, que são da competência da Câmara Municipal no âmbito da organização e funcionamento dos seus serviços e no da gestão corrente estar obrigada a dar procedimento a tais deliberações decididas democraticamente pelos membros eleitos desta Assembleia Municipal.

Também por consulta regularmente às atas das Reuniões do Executivo Municipal é expresso frequentemente pelo Sr. Vereador Filipe Viana, em declarações de voto, que não lhe são fornecidos os documentos necessários para análise conforme é estipulado na lei das autarquias que, pelo menos com a antecedência de 48 horas devem ser fornecidos todos os documentos. Carência reforçada na sua recente declaração de voto sobre esta matéria, que passo a citar: “Considerando a falta de hábito democrático na elaboração dos documentos em causa, bem como a ausência de informação na maior parte dos pontos de ordem de trabalhos de cada reunião da Câmara Municipal” fim de citação.
 Está aqui também a Câmara Municipal a não dar cumprimento às regras do Estatuto do Direito de Oposição.

A CDU quer ainda deixar bem vincado neste importante órgão deliberativo da autarquia local, que nem sempre foram garantidas e respeitadas as regras de esclarecimento e resposta devidas, aos titulares da oposição aquando do exercício do seu direito de participação na atividade política e democrática neste órgão municipal de fiscalização e deliberação. Em grande parte das Sessões desta Assembleia Municipal, o Sr. Presidente da Câmara Municipal ou não respondeu ou deu respostas pouco objetivas e não concretas às perguntas feitas pelos eleitos comunistas sobre várias questões de interesse municipal (e agora parece que dar resposta a certos requerimentos também começa a ser incómodo – Requerimento sobre os índices económicos do concelho).

Por tudo isto os eleitos da CDU não poderão estar de acordo com o dourado do “Estatuto do Direito de Oposição – Relatório de Avaliação” e não consideram que o mesmo esteja cumprido integralmente, enferma da contaminação de um “vírus antidemocrático”. É que querer “tapar o sol com uma peneira” não deixa ver os caminhos que assegurem o direito de exercer uma oposição democrática aos membros eleitos nos órgãos das Autarquias Locais, e que consequentemente a gestão autárquica do município de Ponte de Lima não esteja a ser regida pelo bom senso e pelo respeito das regras democráticas em toda a sua magnitude, conforme o é exigido pela lei das autarquias locais.

 Outros assuntos de interesse Municipal – Saudação ao 25 de Abril e ao 1º de Maio

 A Revolução de Abril, realização histórica do povo português é data maior. E as datas que tocam, sensibilizam e movimentam o Povo, não podem ser esquecidas, até porque decorridos 38 anos, a Revolução dos Cravos mantém viva a esperança na construção de uma sociedade plenamente democrática e de alargada justiça social, tendo como inspiração os valores de Abril.

No Portugal antes de Abril não havia liberdade. Existia censura, havia presos políticos, a atividade política, associativa e sindical era proibida e controlada pela polícia politica.

No Portugal atual inserido numa vasta operação de descaracterização do regime democrático e de ataque aos direitos dos trabalhadores e do povo em geral, cuja subscrição do Pacto de Agressão com a Troika estrangeira por PS, PSD e CDS torna evidente e aprofunda, o atual plano do Governo de “reformar” o poder local, procura destruir uma das principais conquistas do 25 de Abril: o poder local democrático, reconhecido como sendo responsável por parte significativa das melhorias nas condições de qualidade de vida das populações a partir de 1974.

O Governo prepara-se para impor uma reforma administrativa ou, de uma forma mais rigorosa, a extinção de freguesias, contra a vontade das populações, numa atitude de autoritarismo.

A extinção de freguesias é uma peça de uma vasta proposta de desmantelamento do poder local democrático, num autêntico ajuste de contas com as conquistas da Revolução de Abril.
Atacam a autonomia administrativa e financeira, a justa repartição dos recursos públicos entre a administração central e local, degradam os serviços públicos para os entregar aos grandes grupos económicos, destroem o emprego público e põem fim à pluralidade, representatividade e colegialidade dos executivos municipais. A eventual concretização destas propostas significará um profundo retrocesso.

Na homenagem e evocação nesta assembleia municipal desta realização histórica do povo português, não podemos deixar de manifestar a nossa mais profunda desilusão pela passividade com que os senhores presidentes de junta de freguesias do nosso concelho, assistem impávidos e serenos à extinção das nossas freguesias, é inadmissível que o município e os presidentes de junta de freguesias tenham cozinhado dentro dos Gabinetes uma chamada “Reforma da Administração Local” à maneira do quero, posso e mando. Tudo feito nas costas das populações das freguesias, mandando às malvas tradições centenárias, milenares no caso de muitas das freguesias que querem ver extintas, em cujo caldo se consolidaram e sobrevivem elementos essenciais da identidade comunitária à escala local.
Com atitudes como estas de completa submissão às intenções de o governo extinguir freguesias, só vai restar despedirmos dos presidentes de junta presentes, porque muito em breve, grande parte de vós, ou outros, já cá não estarão. Restará dizer obrigado por tudo, e até à próxima, agradecendo o contributo que tiveram na gestão do poder autárquico local, mas não ignorando que com a vossa inercia de “grandes democratas” poderão ser os “coveiros” do poder local democrático, por deixarem morrer a maior conquista de Abril.

 A terminar daqui desta Assembleia saudamos o 25 de Abril e as próximas comemorações do 1º. de Maio e saudamos ainda os Capitães de Abril por terem sabido interpretar as profundas inquietações e anseios da população portuguesa num momento em que também eles sentiam na pele os dramas e as frustrações de uma guerra colonial injusta sem fim à vista.

E saudamos também todos aqueles que lutam por uma democracia avançada inspirada nos valores de Abril para retomar os caminhos da revolução, do projeto que continua inscrito na Constituição da República, na certeza de que com o PCP, com os trabalhadores e o povo, um dia esses caminhos de Abril serão retomados e os seus valores voltarão a ser praticados.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

OS COMUNISTAS NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

OS COMUNISTAS NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

 




Período de Antes da Ordem do dia:
 c) Outros assuntos de interesse Municipal


Exmº. Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Sr. Presidente da Câmara Municipal, Srs. Vereadores, Srs. Deputados Municipais, Minhas Senhoras e meus Senhores


“Conferência” ou “Projeto Ponte de Lima na Europa” em que ficamos?
Em consulta na página Web do Município à rubrica prestação de serviços referente ao segundo trimestre do ano de 2011, deparamos com o pagamento ao Sr. Adelino Barros Tito de Morais, que até é eleito nesta assembleia municipal do CDS/PP, o pagamento de 4.000 euros, repito 4.000 euros pela prestação de serviços inicialmente designado por Conferência e agora alterada para a designação de Projeto Ponte de Lima na Europa.
Para nós CDU – Coligação Democrática Unitária o que é estranho é o valor exagerado pago por esta coisa de conferência ou projeto ponte de lima na europa, não sabemos bem o que é que terá sido na realidade?

Sabe Sr. Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, isto deixa-nos ficar a sensação de favorecimento a certos afilhados, politica e eticamente o valor exagerado pago por esta “coisa” não é nada abonatório no campo ético e moral para o município de ponte de lima.
Obviamente que esta questão impõe algumas perguntas ao Sr. Presidente da Câmara Municipal:
1.      
Explique lá Sr. Presidente a esta assembleia municipal o que é que foi na realidade esta “coisa” ou iniciativa e que benefícios trouxeram para Ponte de Lima e que resultados deixaram ficar para o desenvolvimento do Concelho?
2.       Qual a justificação de tão alto valor pago ao Sr. Adelino Tito de Morais por tal conferência ou projeto ou aquilo que se queira chamar?
3.       A prestação de serviços está contabilisticamente registada como paga pelo valor de 4.000.00€. O prestador do serviço refere, na imprensa regional, que só recebeu um cheque de 400.00€. Pedimos ao Município na pessoa do Sr. Presidente que nos preste contas para onde então terá ido o outro zero?

Anunciamos a esta Assembleia Municipal que a estrutura local do PCP acionou uma exposição sobre esta matéria a pedir a intervenção do IGAL – Inspeção-geral da Administração Local e do Tribunal de Contas pelo exagero do valor pago pelo município de ponte de lima por esta iniciativa.


O desemprego a crescer em Ponte de Lima
Infelizmente é com profunda mágoa o termos de referir mais e outra vez nesta assembleia que o desemprego em Ponte de Lima não pára de aumentar em Novembro de 2011 eram 1995 pessoas em Janeiro de 2012 são 2213 (956 homens, 1257 mulheres) de lá até cá aumentaram mais 218 pessoas no desemprego em ponte de lima.








Meio ambiente
Estamos a assistir aos preparativos para a implantação de relva junto à margem do rio, obra feita à revelia da deliberação então tomada por esta assembleia municipal (Sessão de 26Fev2010 aprovada por maioria) para a necessidade de apresentar um projeto à discussão pública.
Mais uma vez, assistimos a uma pseudo operação de “embelezamento “para turista ver, e o que de facto, é mais urgente cuidar e tratar que é a purificação das águas do rio lima fica para as calendas do inferno ou atirado para o baú das obras inacabadas.
O nosso rio, saudoso e cristal, continua todos os dias a ser vítima da contaminação das suas águas através de descargas poluentes a céu aberto, nomeadamente dos esgotos que saem abaixo do paredão da avenida dos plátanos (em frente à igreja dos terceiros). Não se pode com manobras de desativar num lado e ativar no outro de querer iludir os munícipes que tudo vai bem na paisagem do marketing da treta de um ambiente de qualidade.

Reforma administrativa

A proposta de lei de reorganização administrativa aprovada pelo Conselho de Ministros mantém, ao contrário do que se procura fazer crer, o essencial dos objetivos fixados pelo governo: a liquidação de 1/3 das freguesias hoje existentes.
Acobertada na ideia de um alegado recuo (traduzido na alteração dos critérios que constavam da versão inscrita no Livro Verde) o que a proposta agora aprovada visa é, não apenas a reafirmação dos objetivos que o governo prossegue mas, de facto, a consagração de um projeto ainda mais grave e perigoso.
Sublinhar que este ataque ao poder local é um ataque dirigido às populações, aos seus direitos e legítimas aspirações a uma vida digna, é inseparável da ofensiva que ao mesmo tempo extingue serviços públicos, Extingue milhares de postos de trabalho nas freguesias, nega o direito à saúde, reduz o direito à mobilidade, tudo num processo de desertificação e abandono que a liquidação das freguesias só acentuará;
          Apelar à mobilização, ao protesto e à manifestação dos legítimos sentimento de indignação por parte da população e dos trabalhadores contra estas medidas e estes objetivos, divulgar e mobilizar para a manifestação de eleitos autárquicos do próximo dia 24 de Março em Lisboa contra esta liquidação das freguesias.

O eleito da CDU

João Francisco Gomes



Assembleia Municipal de Ponte de Lima - Sessão Ordinária de 24 de Fevereiro de 2012


Período da Ordem do dia

 B) Discussão e votação de “Proposta de alteração do regulamento de atribuição de bolsas de estudo aos alunos do ensino superior”

Exmº. Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Sr. Presidente da Câmara Municipal, Srs. Vereadores, Srs. Deputados Municipais, Minhas Senhoras e meus Senhores

Começamos por vincar que somos a favor da atribuição de bolsas de estudo! Mas também achamos que são o mínimo que se pode atribuir e servem somente para dizer que em Ponte de Lima o Executivo camarário também é solidário e “promove um conjunto de medidas de âmbito social com o intuito de melhorar o nível de vida da sua população”.


Agora o que não podemos de forma nenhuma é estar de acordo com o conteúdo desta “Proposta de alteração do regulamento de atribuição de bolsas de estudo aos alunos do ensino superior”. É uma proposta com critérios imensamente limitativos, com um número de bolsas a atribuir meramente simbólicos, e com valores também pouco significativos, um investimento de cerca de 5 mil euros, para um conjunto tão vasto de alunos parece-nos manifestamente pouco.

O Numero das bolsas é extremamente baixo (5 bolsas) sendo que duas são preferencialmente para cidadãos com mais de 65% de deficiência e restando só 3 para os restantes interessados!


Só a título de exemplo a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso entregou 53 Bolsas de Estudo a alunos povoenses que frequentam o Ensino Superior e o Ensino Secundário no ano letivo de 2011/12. O valor do investimento é de 37 mil e 400 euros.


A Câmara Municipal de Albufeira, em cada ano lectivo, concede 30 bolsas de estudo. 15 localizados no país mas fora do Algarve. Cada bolsa terá o valor máximo mensal, equivalente a 50% do salário mínimo, 14 das bolsas destinam-se a localizados no Algarve. Cada bolsa terá o valor máximo mensal, equivalente a 45% do salário mínimo. Uma bolsa destina-se a subsidiar estudos de investigação, e o valor mensal será equivalente a 40% do salário mínimo.


Em Almada a bolsa pode ir até 750€ sendo que habitação fora do concelho é subsidiada até ao valor de 150 € e os bolseiros portadores de deficiência com incapacidade de 30% ficam automaticamente selecionados.

Esposende aqui ao lado concede bolsas de estudo a 30 estudantes num investimento do Município de 18 mil euros

Em Barcelos o valor da bolsa é variável e efetuado por escalões, sendo o valor máximo da bolsa a atribuir 270,00 €. A atribuição desta bolsa é cumulativa com outras bolsas.


E poderíamos continuar com este rol de municípios que colocam de facto interesse no apoio aos seus alunos oriundos de famílias economicamente carenciadas dando-lhes assim uma oportunidade de ingressão no ensino superior ajudando a superar as desigualdades económicas e minimizar o esforço das famílias na sua nobre e difícil missão de educar.


Mas em Ponte de Lima não! Arranja-se dinheiro para “coisinhas” sem interesse ou de interesse duvidoso com valor igual ou superior ás bolsas de estudo. Distribui-se o valor do IRS sem significado algum para as famílias, quando podia ser aplicado nesta bolsa e aumentar substancialmente o número de alunos contemplados.

A terminar alertamos esta assembleia que na vida real do nosso concelho já começam a aparecer casos de estudantes universitários, devido aos dramas da situação económica e social das suas famílias, originados pelas políticas desastrosas do neoliberalismo, que estão a abandonar ou em risco permanente de abandonarem os estudos. E infelizmente estes casos são também reveladores para considerar que estes critérios de atribuição de bolsas de estudo são injustos e imensamente limitativos.

Por tudo isto os eleitos da CDU – Coligação Democrática Unitária não podem votar favoravelmente esta “Proposta de alteração do regulamento de atribuição de bolsas de estudo aos alunos do ensino superior” daí que o nosso voto se manifeste pela abstenção.


O eleito da CDU

Sandra Margarida Fernandes




Assembleia Municipal de Ponte de Lima - Sessão Ordinária de 24 de Fevereiro de 2012

Período de Antes da Ordem do dia:
 c) Outros assuntos de interesse Municipal


Exmº. Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Sr. Presidente da Câmara Municipal, Srs. Vereadores, Srs. Deputados Municipais, Minhas Senhoras e meus Senhores


SOBRE A SITUAÇÃO DOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO
Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo estão hoje perante a maior ofensiva da sua história, como o PCP já há muito vem denunciando, fruto da má gestão por parte das várias administrações nomeadas quer por governos do PS quer do PSD/CDS.
Os ENVC granjeiam um forte prestígio nacional e internacional e, pela sua dimensão, são há muitos anos a mais importante unidade industrial no distrito de Viana do Castelo, verdadeira empresa âncora do desenvolvimento do Alto-Minho. De facto, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo são reconhecidamente fundamentais para o desenvolvimento da cidade e da Região. Empregam atualmente 650 trabalhadores e dele dependem, a montante e a jusante, algumas outras centenas de postos de trabalho e a subsistência de milhares de famílias no distrito e na região que é, sublinhe-se, uma das mais pobres da Europa.


Consideramos inaceitáveis as manobras e atitudes, que põem como únicas  opções para o futuro dos ENVC a privatização ou o encerramento, de que foi exemplo flagrante a rejeição na Assembleia da República por parte dos deputados do PSD e do CDS, na não aprovação, do projeto de resolução apresentado pelo Grupo Parlamentar do PCP que recomendava ao Governo que garantisse aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo o financiamento necessário para permitir o arranque imediato da construção dos navios asfalteiros contratados com a Venezuela. É também condenável, o que lamentamos profundamente, a posição dos deputados do PSD e do CDS eleitos pelo nosso distrito, foi uma atitude tipo atanásia sentenciando o definhamento até ao desejado móbil privatizador do desaparecimento desta importante empresa pública.


A gente sabe qual a desculpa para tal votação, mas o que é certo, é que desde o verão passado se esperam medidas concretas para a viabilização da empresa e até agora nada de novo. Também sabemos que os mesmos que criticaram o que aconteceu com o Ferry “Atlântida” até agora estiveram a ver passar navios e o “Atlântica” continua a apodrecer amarrado ao cais.


 Não vale a pena fazer o discurso das indústrias do mar e da defesa do aparelho produtivo, não vale a pena falarem de exportações, não a vale a pena falarem em crescimento económico. Os Estaleiros Navais e o que lá se está a passar são o desmentido formal de toda esta retórica.


 É tempo de os Estaleiros Navais voltar a produzir, voltarem a exportar, voltarem a contribuir para o crescimento económico do País, da região e do norte.


O que se passa nos Estaleiros Navais não é só irracional como também é quase inacreditável. Estão os seus 650 trabalhadores paralisados, quando há um contrato assinado há um ano para a construção de dois navios que não está, pura e simplesmente, a ser cumprido.

Os eleitos da CDU – Coligação Democrática Unitária manifestam uma profunda solidariedade para com os trabalhadores, neste momento de grandes dificuldades, onde mais do que nunca é necessário lutar para defender a empresa os postos de trabalho e a capacidade produtiva do País em que muitos falam, mas na “primeira curva” esquecem tudo o que disseram na campanha eleitoral.


O PCP compromete-se firmemente nesta assembleia municipal que irá fazer tudo para impedir estas intenções,  apelando  à unidade de todos os trabalhadores na luta que se adivinha dura mas necessária na defesa da empresa dos postos de trabalho da região e do país.
O eleito da CDU

Sandra Margarida Fernandes




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

.Moção sobre “O orçamento de estado para o ano de 2012 e o Documento Verde da Reforma da Administração Local”

Assembleia Municipal de Ponte de Lima - Sessão Ordinária de 17 de Dezembro de 2011


Período da Ordem do dia

 B) Discussão e votação da Moção sobre “ O orçamento de estado para o ano 2012 e o Documento Verde da Reforma da Administração Local ”

Exmº. Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Sr. Presidente da Câmara Municipal, Srs. Vereadores, Srs. Deputados Municipais, Minhas Senhoras e meus Senhores
A CDU – Coligação Democrática Unitária apresenta esta moção a discussão e votação nesta assembleia motivada pelos seguintes factos de razões:
Com a aprovação do Orçamento de Estado para 2012 é dado um novo passo, agora qualitativamente de outro nível, no processo de asfixia financeira das autarquias e que há já largo tempo se vem desenvolvendo ao arrepio do preceito constitucional que determina a justa partilha de recursos públicos entre os níveis central e local do Estado em flagrante violação dos regimes legais de finanças locais (cada um deles construído, no plano dos montantes a afectar às autarquias, sobre os escombros de sucessivos incumprimentos dos que o antecederam);
A concepção de modelo centralista que o O.E impõe ser um flagrante contraste e negação da retórica exibida pelo «Livro Verde» sobre “reforço saudável do municipalismo” significar que decisões como as de abertura de concursos para admissão de pessoal, de fixação da estrutura municipal ou da definição do elenco de pessoal dirigente ou de contracção de empréstimos passam a ser determinadas pelo Ministro da Finanças, num quadro conceptual de gestão local que a aproxima perigosamente daquela a que a Revolução de Abril veio pôr cobro;
A consagração de roubar aos trabalhadores da administração local (a exemplo do que sucederá nos outros níveis da administração pública e à generalidade dos pensionistas) as remunerações correspondentes aos subsídios de férias e de Natal que a par da prorrogação das reduções salariais que vigoraram este ano e dos novos cortes nos pagamentos devidos pela prestação de trabalho extraordinário constituirá um golpe nos rendimentos familiares com consequências não apenas nas condições de vida e dignidade de milhares de famílias como um factor de retracção na vida económica local e nas possibilidades de sobrevivência de pequenos empresários;
E o motivo maior de que esta “reorganização administrativa” não é determinada por nenhuma intenção séria de dignificar e elevar a eficácia da gestão das autarquias o que pressuporia, como linha condutora essencial, o fortalecimento das condições, meios e instrumentos postos à disposição do poder local e não a sua sonegação ou de modernizar a administração do território que exigiria, para ser levada a sério, não um processo cego de liquidação de centenas de autarquias mas sim a concretização do processo de regionalização;
 Por tudo isto passamos a apresentar a moção “ O orçamento de estado para o ano 2012 e o Documento Verde da Reforma da Administração Local ”
 .Moção sobre “O orçamento de estado para o ano de 2012 e o Documento Verde da Reforma da Administração Local”
Considerando que o Orçamento de Estado para 2012 põe a nu as reais motivações, conteúdos e objectivos que o Documento Verde da Reforma da Administração Local (conhecido como «Livro Verde») dissimula sob um punhado de frases feitas e falsos desideratos ali proclamados, (de que são exemplo as repetidas referências a “ganhos de escala”, “coesão territorial”, ”sustentabilidade financeira”, “racionalização e eficiência”) se revela exposto contrapõe, em toda a sua exuberância e brutalidade o contido no Orçamento de Estado que, em si mesmo, em matéria de autarquias locais, é um exercício de condenação do poder local democrático e um ataque sem precedentes ao municipalismo e à vida democrática no plano local;

Considerando que o Orçamento de Estado para 2012 exibe e impõe um modelo que, para lá da flagrante violação do princípio constitucional da autonomia, exprime uma concepção centralista e de grosseira subalternização do poder local, procurando transformar as autarquias em meras dependências do poder central administradas e reguladas em matérias decisivas (como as financeiras, orçamentais e de pessoal) a partir não das decisões dos eleitos com legitimidade para o fazer, mas sim de actos discricionários de membros do governo;

Considerando que são retirados mais de 120 milhões euros aos valores transferidos pelo Orçamento de 2012 face ao de 2011 (num processo de subtracção de verbas a que as autarquias tinham direito que ascenderá a uma verba superior a 700 milhões de euros no período de 2010 a 2012 e a cerca de 1.200 milhões de euros até 2013 se não for interrompida a aplicação do Pacto de Agressão que está a ser imposto ao país) como lança mão de novos e intoleráveis expedientes para cobrir novos roubos ao poder local;

Considerando que com a drástica redução de verbas transferidas para as autarquias fica não apenas comprometida a capacidade de investimento e de resposta necessária às funções de serviço público, mas também a possibilidade de apoio e estímulo à actividade das colectividades e do movimento associativo em geral que hoje têm como único parceiro o poder local para a múltipla e insubstituível acção de promoção do desporto, da cultura e do recreio que desenvolvem;

Considerando que a chamada “reorganização administrativa” destinada à liquidação (pomposamente disfarçada no Livro Verde sob a designação de “agregação”) de quase duas mil freguesias constitui em si mesmo um deliberado factor de empobrecimento da dimensão democrática e participada do poder local e do valor que representa a alargada intervenção de cidadãos na gestão da vida pública local (uma redução de quase 20 mil eleitos da intervenção cívica e política) e um visível reflexo das concepções antidemocráticas instaladas no poder central;

Considerando que com esta reforma o que se pretende é menorizar o poder local e a expressão democrática de representação e participação política (e não a cínica invocação de “melhoria da eficácia”), atingindo pela extinção coerciva as freguesias e por um maquiavélico processo de asfixia e inviabilidade financeira (que o Orçamento de Estado testemunha) a liquidação de dezenas de municípios;

Considerando, por fim, que se pretende ainda impor a subversão do sistema de eleição dos órgãos municipais para assegurar a constituição de executivos monocolores à custa da liquidação do seu carácter plural e democrático e das condições de fiscalização e controlo democráticos, num quadro em que, no fundamental, o actual regime provou ser não apenas um factor de governabilidade e estabilidade, mas também um espaço de cooperação e trabalho comum de eleitos de diversas forças políticas.

A Assembleia Municipal de Ponte de Lima reunida em 17 de Dezembro de 2011

DELIBERA: (Chumbada pelos votos contra do CDS/PP, PSD e Presidentes de Junta)

  1. Rejeitar o chamado «Livro Verde» para a reforma da administração local por este se constituir como um instrumento orientado para a liquidação do poder local democrático e das suas características mais progressistas;

  1. Manifestar a sua mais viva oposição a um Orçamento de Estado que se afirma, nas suas disposições, como um meio de impor limitações inaceitáveis à autonomia das autarquias e de consagrar cortes de financiamento incompatíveis com o pleno direito de exercício das suas atribuições e competências;

  1. Alertar as populações, o movimento associativo local, os trabalhadores das autarquias e os agentes económicos locais para as consequências nas condições de vida e nos condicionamentos ao desenvolvimento e progresso locais que daqui resultarão;

  1. Sublinhar que este ataque ao poder local é um ataque dirigido às populações, aos seus direitos e legítimas aspirações a uma vida digna, é inseparável da ofensiva que ao mesmo tempo extingue serviços públicos, nega o direito à saúde, reduz o direito à mobilidade, tudo num processo de desertificação e abandono que a liquidação das freguesias só acentuará;

  1. Manifestar a inteira solidariedade aos trabalhadores das autarquias atingidos nos seus rendimentos, direitos e estabilidade de emprego quer pelas disposições do Orçamento de Estado relativas a matéria salarial ou de carreira, quer pela ameaça decorrente da extinção de centenas de freguesias e apelar à mobilização, ao protesto e à manifestação dos legítimos sentimentos de indignação por parte da população e dos trabalhadores contra estas medidas e estes objectivos

Mais se delibera:
a)      Remeter através dos serviços de secretariado desta assembleia, a presente moção aos órgãos de soberania: Presidente da República, Primeiro-ministro, Grupos Parlamentares da Assembleia da República.
b)      Remeter através dos serviços de secretariado desta assembleia, a presente moção à Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Associação Nacional de Freguesias, e divulgá-la junto da população através dos Órgãos de Comunicação Social.

Os eleitos da CDU – Coligação Democrática Unitária
João Francisco Gomes
Sandra Margarida Fernandes